Seca e água no Sertão de Pernambuco





O grande dilema dos sertanejos é a falta de chuvas. Em anos de irregularidades climáticas a situação dos pequenos agricultores se torna insustentável pela falta de água e alimentos para os animais. Quando chove normalmente há uma oferta abundante de pastagem na caatinga e água nos riachos, açudes e barreiros para suprir as necessidades dos animais, contudo, há anos em que as chuvas não são suficientes para formação de água em açudes e barreiros, como também para formação de pastagens. Em 2010 as chuvas que ocorreram no Sertão não foram boas para a produção de alimentos e nem para formação de pastagens para os animais. Dados meteorológicos observados no Campo Experimental da Caatinga na Embrapa Semiárido, demonstraram que: no mês de janeiro choveu 26,2 mm. No mês de fevereiro choveu 39,2 mm e 119,3 mm no mês de março. Embora esse volume seja considerado bom para as lavouras, as chuvas dos meses seguintes não foram significativas. No mês de maio choveu somente 13,0 mm. Em junho e julho, choveu 24,5 e 22,5, respectivamente. Já em agosto e setembro, choveu apenas 0,4 e 9,6 mm, respectivamente. Em outubro choveu 40,4 mm e em novembro não foi registrada nenhuma precipitação. No mês de dezembro choveu 45,0 mm. Embora o volume total tenha sido de 377,9 mm no ano, a irregularidade na distribuição, principalmente nos meses de fevereiro a abril, não proporcionaram boas colheitas. Em algumas comunidades do Sertão de Pernambuco os agricultores tiveram muita dificuldade para suprir a necessidade de água para os caprinos e ovinos em 2010. No município de Santa Maria da Boa Vista a necessidade de água dos animais foi suprida pelo carro-pipa. Alguns agricultores chegaram a gastar mais de R$ 1.500,00 com carro-pipa para suprir a necessidade de água de um rebanho de 120 cabeças  de caprinos e ovinos nos meses de agosto a dezembro.

As garças-brancas-pequenas e os carrapatos dos bovinos na caatinga





As graças-brancas-pequenas na época de suas revoadas, são um espetáculo a parte nas paisagens do Sertão. Essas aves alimentam-se principalmente de pequenos peixes em lagos e lagoas eutrofizados, contudo quando não há mais peixes, as garças consomem tudo que encontram pela frente na lama. Esta ave pode consumir também pequenos roedores, anfíbios, répteis e insetos. As garças-brancas fazem certo controle das populações de peixes nos lagos e lagoas das caatingas do Sertão, principalmente no período de seca quando a estiagem prolongada provoca a evaporação das águas desses reservatórios. Esses pássaros também são vistos seguindo animais, principalmente os bovinos em busca de carrapatos. Na fotografia, podemos ver que as garças seguem um grupo de bezerros da raça sindi em uma pastagem de capim buffel na caatinga. Por outro lado, quando as pequenas lagoas ficam com pouca água, as garças capturam todos os peixes, que possivelmente sobreviveriam no próximo período de chuvas. Esse convívio pode ser uma forma natural de controle dos carrapatos no rebanho, porém, os criadores deveriam manter uma pequena lagoa em sua propriedade e sempre colocar um pouco de alevinos para manter as garças por perto.

O belo gavião-carijó da caatinga



O gavião-carijó (Rupornis magnirostris) é uma das mais belas aves de rapina da caatinga nordestina. Essa ave pode chegar a mais de 40 cm de comprimento com uma plumagem belíssima variando de cinza a marrom e um azul escuro. No peito as listas marrons e brancas dão um tom de beleza inigualável. O gavião-carijó alimenta-se de pequenos vertebrados e tudo que consegue caçar quando está com fome. Esta espécie, embora seja a mais abundante do Brasil, não é vista com facilidade. Este gavião também é conhecido pelos nomes de anajé, gavião-indaié, inajé e indaié. Esse exemplar foi observado sobre uma casa de vegetação da Embrapa Semiárido logo após capturar um pequeno pássaro.

Uma jibóia na caatinga de Petrolina, PE



A cobra jibóia (Boa constrictor) é uma das serpentes da caatinga do Nordeste que alcança até 2 metros de comprimento. Embora a jibóia seja predominantemente um animal de hábitos noturnos, ela é avistada sempre durante o dia, principalmente nas primeiras horas da manhã. Entre as serpentes do Nordeste, a jibóia é uma das mais encontradas na caatinga. Sua alimentação é composta de pequenos mamíferos, aves e repteis. Embora seu habitat preferido seja a floresta húmida, a savana, os mangais, a jibóia é encontrada nas áreas  mais secas da caatinga. Este animal não causa risco para os agricultores, contudo pode atacar as criações de galinhas e os caprinos recém nascidos. Quando pega uma presa como um filhote de caprino ou ovino, a jibóia se enrola nela e aperta o animal, até que ele cessa todos os movimentos e engole o animal inteiro. Essa serpente encontra-se em extinção pela ação dos caçadores que consomem sua carne. Esta jibóia foi encontrada as 10:35 horas quando atravessava uma estrada na caatinga.



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Produção da farinha de mandioca

A produção da farinha de mandioca (Jatropha manihot) é uma das atividades mais tradicional no interior do Nordeste. A farinha de mandioca é um dos alimentos de maior consumo pelos agricultores do Sertão. Tudo começa com o plantio da mandioca em pedaços que são chamados de manivas. Essas manivas são passadas de geração em geração. Isto é, quando um agricultor consegue um tipo de mandioca que dá uma boa produção, ele a multiplica por muitos anos e distribui manivas com todos os conhecidos. Normalmente a mandioca é plantada em um ano para ser colhida no outro. Existe diversos cultivares de mandioca que são classificadas como mandiocas doces ou de "mesa", também conhecidas como aipim, macaxeira ou mandioca mansa e que são utilizadas para consumo humano e animal e as mandiocas amargas ou mandiocas bravas, utilizadas pelas indústrias. Após a colheita, a raiz da mandioca é transportada da roça para o local onde vai ser processada. Muitos agricultores no Sertão de Pernambuco possuem uma casa de farinha junto a sua residência, outros constroem as casas de farinha nas áreas de produção para facilitar o trabalho. Quando a mandioca chega à casa de farinha é descascada, lavada e ralada, antes do processamento da farinha. Toda a família trabalha na produção de farinha, contudo, existe muito trabalho de mutirão, isto é, os agricultores se reúnem e vão produzindo a farinha de cada família de uma vez. De modo geral, a farinha é produzida em pequenas unidades artesanais de fundo de quintal.




Umbu, fonte de alimento para os caprinos.


O imbuzeiro é uma fruteira nativa de grande importância para alimentação dos animais domésticos e silvestres da região semi-árida do Nordeste. Uma parte significativa da produção do imbuzeiro é aproveitada pelos agricultores para comercialização dos frutos in natura e para o processamento de diversos produtos. Todavia, a maior parte da produção de frutos é consumida, principalmente pelos caprinos, ovinos, bovinos e animais silvestre. Em trabalho de pesquisa com o objetivo de avaliar a quantidade de frutos de imbuzeiro consumidos na safra por caprinos em três comunidades da região semiárida do Sertão de Pernambuco com densidade média de 8 plantas por hectare, foi observado que, em média, um caprino consome 10.126 frutos por safra, equivalentes a 131 kg de frutos.  Essa quantidade pode ser maior em áreas com maior densidade do imbuzeiro na caatinga.



O boi magro da caatinga nordestina




A foto

Nesta fotografia, podemos observar alguns bovinos muito magros na caatinga seca. A fotografia foi obtida no dia 7 de novembro de 2007 na caatinga da comunidade de Barreiro no município de Petrolina, PE.

O fato

O Brasil possui um dos maiores rebanhos comercial de bovinos do mundo com mais de 204 milhões de animais. Desse total, 12,70% encontra-se nos Estados do Nordeste. Contudo, na região semiárida a pecuária apresenta índices zootécnicos muito baixos, principalmente em termos de lotação das pastagens. Tentando elevar estes índices, muitos agricultores do Sertão nordestino desmatam a caatinga para introdução de pastagens, principalmente o Capim Buffel (Cenchrus ciliaris). Porém, para que a pecuária do semiárido alcance melhores índices de produtividade, há necessidade da adoção de alternativas tecnológicas que melhorem o desempenho por animal (ganho de peso vivo) e a capacidade de suporte (número de animais por unidade de área). Para obtenção de melhoria no desempenho animal, deve-se levar em conta a ingestão de matéria seca, a qualidade da forragem e o potencial genético do animal. Na caatinga nordestina onde o pastejo ocorre livremente na maior parte das propriedades, as secas regulares são fatores que impedem que os animais obtenham valores significativos de ingestão de matéria seca, visto que a oferta de pastagem é limitada na maior parte do ano. Quanto ao potencial genético, é quase impossível que este se desenvolva com animais consumindo, mandacaru, xiquexique, macambira e palma forrageira para escapar da seca. Todavia, algumas raças podem está se adaptando a essas condições e sobrevivendo no Sertão, como vemos na fotografia. Esse é nosso bovino que sobreviverá às mudanças climáticas.



Caititu na Caatinga



A foto

Nesta fotografia pode observar um caititu em cativeiro. A fotografia foi obtida em 8 de maio de 2003 na comunidade de Nova Descoberta no município de Petrolina, PE.

O fato

O caititu (Tayassu tajacu) que é encontrado na caatinga do Nordeste é uma das três espécies de pecaris existentes no Brasil. São semelhantes aos porcos domésticos, por isso são também chamados de porcos do mato. A principal diferença dos porcos verdadeiros são seus caninos pequenos. Quando estão ameaçados, batem os dentes como mecanismo de defesa fazendo um grande barrulho. O caititu das caatingas do Nordeste se alimenta, principalmente de raízes, tubérculos e sementes. Nos períodos de seca severa nessa região a falta de frutas nativas, leva os animais a consumirem raízes de plantas, tais como, a raiz da maniçoba, da faveleira, e do caroá, etc. Em um trabalho de pesquisa que estamos realizado, são identificadas as fontes de alimentos de um bando de caititus em uma área de caatinga nativa da Embrapa Semiárido. O trabalho consiste no levantamento das plantas que apresentam partes consumidas pelos caititus em diferentes períodos do ano. Os resultados preliminares demonstraram que no período de janeiro a abril quando ocorrem chuvas na região, a base da dieta dos caititus são os frutos do imbuzeiro caídos ao chão e as raízes da maniçoba. No período de maio a agosto, as raízes da faveleira e do caroá são as mais consumidas pelos caititus. De agosto a dezembro, a raiz do caroá é a principal fonte de alimentação dos caititus. Em cada período de avaliação são coletadas fezes dos animais para análise dos restos das partes das plantas consumidas.

Fonte:http://fatosefotosdacaatinga.blogspot.com/



Antônio Conselheiro é revivido após 180 anos


12/3/2010 Clique para Ampliar
Reprodução de imagem das ruínas da Comunidade de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro no sertão da Bahia. É considerado o maior movimento popular do Brasil 
DIVULGAÇÃO

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Bisneto do beato é cumprimentado pelo teatrólogo, José Celso, que montou espetáculos sobre Canudos 
FÁBIO LIMA (14/11/2070)Mudanças na percepção e na apropriação das memórias do beato Antônio Conselheiro


Fortaleza. Quando começaram a circular as primeiras notícias sobre a investida do Exército brasileiro contra uma comunidade religiosa baiana que desafiava a Igreja Católica e a República recém-estabelecida, o povo da então Vila do Campo Maior de Quixeramobim deve ter tido muito do que se envergonhar. Pois logo um filho da terra, de família tradicional, tido até então como homem civilizado, dedicado à família e temente a Deus, era apontado como o líder espiritual daquela turba de degenerados, messias doentio cujas prédicas incitavam a desobediência civil e anunciavam o fim dos tempos.


O quixeramobinense Antônio Vicente Mendes Maciel havia se tornado o fanático Antônio Conselheiro, líder religioso do Arraial de Belo Monte, também conhecido como Canudos.

Ao completar 180 anos de nascimento, é possível verificar mudanças na percepção e na apropriação das memórias sobre o beato. Canudos hoje é identificado como o maior movimento popular do Brasil, difamado e aniquilado por um Estado indiferente às mazelas que assolavam o sertão nordestino. Por sua vez, Conselheiro é visto como um mobilizador de utopias, místico imbuído pela busca de uma comunidade devota e solidária, segundo os princípios dos primeiros cristãos. Com tal virada perceptiva, Antônio Conselheiro hoje pode ocupar o "status" de cidadão ilustre de Quixeramobim.

Tanto que, hoje e amanhã, a ONG Instituto do Patrimônio Histórico de Quixeramobim (Iphanaq) realiza uma edição especial do Conselheiro Vivo, com o tema "Cultura e Transformação". Realizado desde 1997 pelo então Movimento Antônio Conselheiro, que posteriormente deu origem ao Iphanaq, o encontro tem como objetivo debater a memória do beato e atualizá-la a partir de temáticas sociais. De acordo com os organizadores, este ano o evento busca realizar intervenções artísticas e propostas pedagógicas no intuito de criar materiais de memória envolvendo o universo social Conselheiro/Canudos.

Para isso, há duas semanas o artista visual Alexandre Veras vem ministrando uma oficina de vídeo para 15 alunos da Escola Pública Luiza Távora, de Quixeramobim, dentro do Projeto Interações Estéticas. O projeto é resultado de edital da Fundação Nacional das Artes (Funarte) e desenvolvido em conjunto com o Ponto de Cultura Patrimônio Vivo, da ONG Iphanag. Os participantes têm como missão entrevistar moradores da cidade, questionando-os sobre as diversas impressões dos conterrâneos de Conselheiro.

"Queremos trabalhar com a comunidade de forma a não apresentar uma história como relatório ou um resgate do legado de Antônio Conselheiro, mas fazer uma ponte entre a trajetória deste e questões contemporâneas dos seus conterrâneos, evidenciando esse Conselheiro ´vivo´. Nós queremos trabalhar Quixeramobim como um lugar de memória desse personagem humano: o lugar onde ele nasceu, teve sua formação e travou conhecimento com Padre Ibiapina e o historiador Antônio Brígido", explica o mestre em História pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e também um dos organizadores do encontro, Danilo Patrício.

Hoje, os depoimentos serão projetados nas paredes do sobrado onde o beato nasceu, tombada pelo Patrimônio Estadual. Já no sábado, será iniciada oficina de fotografia também para alunos de escolas públicas, que busca registrar lugares de memória que perpassam a trajetória de Antônio, antes de virar Conselheiro. A oficina, que terá continuidade após o evento, é ministrada pelos fotógrafos Igor Câmara e Weynes Matos.


FIQUE POR DENTRO

Origem do beato


Antônio Vicente Mendes Maciel nasceu no dia 13 de março de 1830. Como não conseguiu tocar o comércio do pai, trabalhou como professor, caixeiro, escrivão e rábula (advogado sem diploma). Atribui-se à traição da esposa o motivador de sua vida errante. Percorreu os sertões reformando igrejas e cemitérios, além de dar orientação espiritual, que lhe valeu o apelido de Conselheiro. Muitos sertanejos e escravos libertos passaram a segui-lo. Em 1893, o grupo se estabeleceu numa fazenda abandonada no norte da Bahia, região conhecida como Canudos. O crescimento do povoado atraiu a ira dos fazendeiros e do clero. Em 1896, após um conflito com policiais, o Governo Federal enviou tropas para massacrar o povoado, fato ocorrido só em 5 de outubro de 1897. O corpo de Conselheiro estava enterrado na igreja, morto por causas até hoje não definidas.

TESE DE DOUTORADO

Representações do beato em discussão


"... E surgia na Bahia o anacoreta sombrio, cabelos crescidos até aos ombros, barba inculta e longa; face escaveirada; olhar fulgurante; monstruoso, dentro de um hábito azul de brim americano; abordoado ao clássico bastão em que se apoia o passo tardo dos peregrinos". Esta é a descrição que Euclides da Cunha faz de Antônio Conselheiro no monumental "Os Sertões", livro que registrou a campanha militar contra o Arraial do Belo Monte.

Mas, a despeito da imagem negativa que os vencedores da Guerra de Canudos e a ideologia vigente buscaram imprimir, a figura de Antônio Conselheiro permanece viva no imaginário social a partir das mais diversas manifestações. Este é o mote da tese de pós-doutorado "Retratos do Conselheiro: as múltiplas faces do beato de Belo Monte", da professora e escritora Ângela Gutiérrez.


Novas visões


Na segunda metade do século XIX, a atuação de beatos e penitentes era associada à imagem de um mundo retrógrado, de pessoas afeitas a crendices e fanatismos. Mas não se atentava para a fragilidade e a ausência da República nos rincões do Nordeste brasileiro. Por sua vez, a Igreja Católica se via ameaçada diante da possibilidade de novas vertentes religiosas fora de sua influência e autoridade. Vitimados pelos desastres provocados pela estiagem, Canudos pode ser considerada uma tentativa de estabelecer uma comunidade social e religiosa ideal, cuja grandeza foi diretamente proporcional aos esforços para aniquilá-la.

"O que se pode perceber nos estudos sobre o tema é uma saída da perspectiva dos vencedores para a dos vencidos. Pesquisadores como José de Calazans, Abelardo Montenegro e Nertan Macedo foram muito importantes ao reunir novos dados e depoimentos de sobreviventes. Canudos funcionava a despeito das ações governamentais e de todas as marcas do progresso que o Estado tentava imprimir", avalia Gutiérrez.

Segundo a pesquisadora, que está em fase de conclusão do trabalho, o objeto de pesquisa são os retratos ficcionais do Conselheiro como personagem do romance canudiano. Ela observa que é possível perceber, não apenas nos estudos acadêmicos, como também na literatura, no teatro, nas artes plásticas, nos folhetos de cordel, no cinema, na xilogravura e em outras manifestações, um outro olhar sobre o legado conselheirista.

"O que se percebe é a busca de uma reinterpretação do beato que, com sua postura asceta, seus trabalhos na reforma de templos religiosos e na acolhida sem distinção a quem o procurava em sua comunidade, pôde acenar com a possibilidade de uma vida mais fraterna".

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=749528


Um futuro sombrio para a caatinga

Isaac Lira - Repórter

Com as mudanças climáticas esperadas para os próximos 100 anos, espera-se a diminuição das chuvas e o empobrecimento do solo da caatinga

Se, como nas fábulas, a paisagem natural da caatinga pudesse expressar sentimentos, seus cactos e vegetação típica adotariam uma soturna expressão de adeus. Não são positivos os prognósticos para o único bioma genuinamente brasileiro. Com as mudanças climáticas esperadas para o planeta nos próximos 100 anos, espera-se a diminuição das chuvas e o empobrecimento do solo da caatinga, o que irá praticamente extinguir o bioma e dificultar a vida de milhões de pessoas em todo o Nordeste, inclusive no Rio Grande do Norte. Ambientes semelhantes aos desertos são esperados para o Nordeste nos próximos anos.

As implicações econômicas dessas mudanças serão alvo de conferência na 62a. Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a ser realizada do dia 25 ao dia 30 de julho, em Natal. Na ocasião (26 de julho) o professor do Instituto de Pesquisas Espaciais, Paulo Nobre, irá falar sobre o tema "Mudanças Climáticas e o Nordeste Brasileiro". Nobre acredita na necessidade de modificar o modo de produção predominante no Nordeste (agricultura familiar) para se adaptar ao novo panorama climática que está por vir.

A principal conseqüência do aumento da temperatura será uma alteração no regime de chuvas. Choverá de forma mais espaçada e intensa. Ao invés de precipitações de intensidade pequena e média distribuídas pelos meses do tradicional período chuvoso, haverá algumas poucas chuvas de grande intensidade. Em termos absolutos, choverá menos. Como se sabe, a agricultura precisa de um regime de chuvas mais espaçado, com precipitações freqüentes. Além disso, essa diminuição irá prejudicar o reabastecimento das reservas de água de toda a região. "Com todas essas mudanças, pode-se dizer que a caatinga é um bioma em extinção", explica o professor Cláudio Moisés, do Programa de Pós-Graduação em Estudos Climáticos, da UFRN.

Todas essas mudanças estão inseridas no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (cuja sigla em inglês é IPCC) de 2007. Os professores Cláudio Moisés e Francisco Alexandre, da Pós-graduação em Estudos Climáticos, fazem uma ressalva. Qualquer prognóstico em termos climáticos precisa ser relativizado. A construção do estudo é feito com tantas variáveis, e tão interligadas, que é impossível "prever" com certeza. "O que existem são modelos. Temos desde o modelo mais pessimista até o mais otimista, mas é impossível que algum consiga representar fiel e exatamente sozinho a realidade", diz Cláudio Moisés.

Mesmo assim, é importante prestar atenção no que diz o IPCC para o Rio Grande do Norte. Professores da Universidade Federal de Minas Gerais e da Fiocruz construíram cenários para o futuro das atividades econômicas do Nordeste com as mudanças climáticas. Com o aumento da temperatura e a diminuição e alteração do regime de chuvas, o Estado irá perder quase metade de suas terras disponíveis para a agropecuária. Essa diminuição deve ficar entre 47,2% e 44,7%. Isso acontecerá porque  o solo ficará mais seco, pobre, sem condições de ser cultivado ou fazer crescer o pasto para o gado. A quantidade de espécies de plantas e animais diminuirá drasticamente, em alguns pontos ficando semelhante a um deserto. O RN tem 2,9 milhões de pessoas vivendo no semi-áerido.

Como se sabe, a agropecuária é uma das principais atividades de subsistência no RN. Além disso, o agronegócio é uma das principais fontes de emprego e renda. Com menos terra para o cultivo, o Produto Interno Bruto potiguar poderá diminuir entre 3,5% e 7% nos próximos 50 anos, diz o estudo da UFMG. Para o professor Paulo Nobre, do Centro de Previsão de Tempo e  Estudos Climáticas, isso implica necessariamente em mudanças na forma de produção e subsistência da região. "Não se trata do fim do mundo. As tendências são desanimadoras para o atual modo de produção, mas é possível conviver e se adaptar a esses cenários", diz (veja entrevista)

Existe um deserto verde em várias regiões do RN

É impossível, hoje, visualizar de forma concreta os efeitos das mudanças climáticas no empobrecimento do solo. Mas existe um outro efeito da ação humana que provoca danos semelhantes ao esperado após o aumento da temperatura do planeta no próprio Nordeste. Para quem não sabe, existe um "deserto verde" em formação em várias regiões do Rio Grande do Norte e do Nordeste.

O fenômeno, conhecido como desertificação, dá uma idéia substancial do que pode se esperar, de acordo com os prognósticos dos meteorologistas.

Quando se fala em desertificação, o mais comum é vir à mente das pessoas a imagem de um deserto comum, com areia nua e praticamente nenhuma forma de vida. O deserto do Saara, por exemplo. Não se trata disso.

A desertificação não significa repetir a paisagem desértica tradicional no semi-árido nordestino, mas a diminuição da produtividade da terra e da diversidade de plantas e animais sobrevivendo naquele espaço. "É muito comum existir essa confusão".

Professor

A caatinga não vai ficar igual a um deserto, de fato, mas isso não significa que o problema seja menor ou menos importante", diz o professor José Adenilson, vereador pelo PT em Carnaúba dos Dantas.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou na última semana, um dos principais pontos de desertificação do Rio Grande do Norte: o Seridó, mais especificamente o município de Carnaúba dos Dantas. Lá, a sociedade civil e o poder legislativo estão articulados para, junto à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, construir um Plano Municipal de Combate à Desertificação. Enquanto isso não acontece - e Carnaúba será um dos primeiros municípios potiguares a conseguir esse feito - a pecuária extensiva e o corte de lenha para abastecer as cerâmicas, sem o devido cuidado, agravam o processo de desertificação. Como se sabe,   97% do território potiguar é suscetível à desertificação, o que significa que tanto podem ser desertificadas ou não. Isso vai depender da forma como o homem utiliza o ambiente para produzir. E os primeiros relatos não são animadores.

Uma das saídas para combater a desertificação seria o governo estimular, por meio de financiamento, o uso do gás  natural nas cerâmicas da região Seridó. Os estudos não sairam do papel.

Seridó hoje é terra de uma planta só

Juremas. O olhar corre do topo da serra até o chão, passando por toda uma área verde, e, com algumas exceções, o que se vê são Juremas, árvores de porte médio, folhas verdes e com propriedades psicoativas. Como os sertanejos sabem, uma das principais características da Jurema é conseguir sobreviver mesmo em situações bastante desfavoráveis. Trata-se de uma planta forte, com capacidade de se desenvolver em solos empobrecidos e hostis. A predominância da Jurema nos arredores de Carnaúba dos Dantas não é coincidência.

José Adenilson, que é geógrafo, mostrou à reportagem os efeitos da desertificação em Carnaúba dos Dantas. Nos arredores do famoso Monte do Galo, o solo pedregoso e ralo é a primeira evidência. Segundo o professor, a prática da pecuária extensiva é um dos principais causadores. "O gado acaba comendo boa parte da vegetação nascente. Dessa forma, o adubo natural do solo vai se perdendo", aponta. A extração de lenha pelas cerâmicas é outro problema, um dos maiores, de acordo com Laélia de Melo, responsável pelo combate à desertificação na Semarh. Uma cerâmica de porte médio consome um caminhão de lenha por dia, produzindo 40 milheiros de telhas. Por outro lado, cada empreendimento desse porte significa 40 empregos diretos gerados. Um teorema difícil de resolver.

A degradação da caatinga em Carnaúba dos Dantas tem resumido a biodiversidade do bioma, na cidade, a apenas uma espécie vegetal, justamente a única capaz de sobreviver numa terra tão pobre.  De acordo com o professor José Adenilson, um metro quadrado de área deveria ter pelo menos 10 espécies vegetais. Em muitos locais, existem apenas Juremas. Dessa forma, a diversidade animal também é comprometida. "Toda a fauna que depende  das árvores, do verde, acaba fugindo para outros locais para sobreviver", relata José Adenilson.

Para o professor, a desertificação é uma ameaça real à agricultura da região do Seridó. Ele não está sozinho. A reportagem conversou com Aldair e Josefá Dantas, casal agricultores da cidade de Carnaúba. O terreno dos dois, que trabalham na roça desde a adolescência, tem uma boa faixa atingida pelo problema da desertificação. "Tem terra aqui onde praticamente não dá mais para plantar. A gente tenta recuperar, mas é difícil. Um dia não vai dar mais para viver de agricultura nessa região", concorda Aldair Dantas.

Entrevista: Paulo Nobre - Professor Pós-doutor

Os cenários futuros para a agricultura no Nordeste podem ser pessimistas para muitos cientistas, mas não para o professor Paulo Nobre, do Centro de Previsão de Tempo e  Estudos Climáticas, ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Para o professor pós-doutor em Meteorologia, essa é uma oportunidade única para incentivar novas formas de produção. A convivência com todas essas questões, para Paulo Nobre, também são oportunidades de investir e gerar desenvolvimento.

A UFMG e a Fiocruz publicaram o trabalho "Mudanças climáticas, migrações e saúde: Cenários para o Nordeste Brasileiro 2000-2050" com tendências nada animadoras sobre o Nordeste brasileiro. Entre elas, a diminuição da área agricultável, dos aqüíferos e a necessidade de migrações para outras regiões. O senhor concorda com essa análise?

Conheço o estudo e concordo em parte, mas não considero essas tendências necessariamente desanimadoras. São desanimadoras tendo em vista o atual modo de produção no Nordeste. Mas podem ser vantajosas se nós considerarmos outras possibilidades a partir desse dessa tendência cada vez mais forte: o aumento da temperatura e a alteração do regime de chuvas. Para continuar plantando milho e feijão como é feito atualmente, de forma tradicional, é mesmo desanimador.

Que outras possibilidades são essas?
Formas de ampliar a renda e incentivar o emprego a partir da mitigação desses efeitos negativos. Mitigar significa diminuir. E isso pode ser conseguido em diversos níveis. Primeiro, é preciso reflorestar o Nordeste brasileiro, com espécies nativas. Isso pode minorar efeitos negativos, como o aumento da temperatura nas cidades. Para isso, utilizando mão de obra local, será possível gerar trabalho e renda. Além disso, precisa haver a capacitação de agricultores para ensinar novas técnicas de plantio. Não estamos falando ainda de agricultura irrigada, a exemplo do que acontece em Petrolina e Mossoró, porque isso representa um outro nível de investimento. Essa capacitação precisa atingir a população de baixa renda.

Isso inclui energias alternativas?
Sim, num nível ainda maior. O que eu estou defendendo é utilizar a mitigação dos efeitos negativos das mudanças climáticas e o desenvolvimento de fontes de energia limpa como indutores de desenvolvimento, gerando renda e trabalho. A Europa, no ano passado, teve 69% de sua energia de fontes  limpas, como energia solar e eólica. Eles fazem isso porque são caridosos? Não, eles viram que há retorno financeiro. O Nordeste brasileiro é uma região rica dessas duas matérias-primas renováveis: vento e sol. Mas para isso é preciso um projeto de Estado e não um projeto de Governo. Não é uma iniciativa de um prefeito ou governador, mas uma decisão do Governo Federal, independente de candidato, e de toda a sociedade. Na base de tudo isso, está a educação, para que os jovens e crianças de hoje, os principais atingidos no futuro, com as mudanças climáticas, não tenham o cultivo como única fonte de renda. Eles podem produzir softwares, programas de computador, por exemplo. Mas isso somente com um investimento maciço na educação de base.

O senhor propõe uma mudança significativa em toda a forma de produzir no Nordeste?

Sim, mas isso é uma questão de tempo. Estou falando em um projeto de futuro. Mas é preciso desenvolvê-lo agora. Não é para as pessoas se desesperarem, pensando: "Agora não dá mais para fazer nada". Pelo contrário. Não se muda isso em um ano, mas em uma década é possível fazer transformações.

Fonte: Tribuna do Norte via O Nordeste
http://goo.gl/gPgdY



Alerta Ambiental: caatinga é o bioma mais ameaçado.


A constatação do Ministério não chega a ser novidade, mas enseja algumas mudanças de postura
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu, essa semana, no lançamento do Mapa das Unidades da Caatinga em Terras Indígenas, que o bioma é um dos mais ameaçados, menos estudados e menos protegidos do País.

Na ocasião, foi assinado um plano de ação entre o Ministério, a Fundação Chico Mendes e a organização não-governamental (ONG) The Nature Conservancy (TNC), para promover a criação e a consolidação de unidades de conservação na Caatinga, a seleção de áreas prioritárias à conservação do bioma e a elaboração da lista de regiões onde serão feitos estudos até dezembro de 2010.

“Eu não quero que daqui a alguns anos o que restou de Caatinga vire deserto”, afirmou, referindo-se ao dado de que 62% das áreas com tendência à desertificação estão em zonas originalmente ocupadas pela Caatinga.

O bioma, exclusivamente brasileiro, ocupa 11% (844.453 quilômetros quadrados) do território nacional, abrangendo parte do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e o norte de Minas Gerais. É responsável por riqueza de espécies, com 932 tipos de plantas, 148 mamíferos e 510 aves.

O mapeamento das Unidades de Conservação (UCs) mostrou que, atualmente, 7% da área estão protegidos, mas apenas 1% está em unidades de preservação e reservas indígenas. Os demais 6% fazem parte das Áreas de Proteção Ambiental (APAs). O grande impacto sobre o bioma decorre da extração de lenha para uso doméstico, produção de cerâmica e em siderúrgicas.

Características especiais

De origem indígena, a palavra Caatinga significa “mata branca” ou “floresta branca”, exatamente por ostentar um aspecto esbranquiçado ou mesmo prateado, em virtude da perda das folhas, que ocorre na maioria das espécies, durante o período de estiagem.

Na “mata branca”, plantas e animais apresentam características especiais que lhes permitem adaptação às condições desfavoráveis e, nessa interação, formam um bioma especial e único no planeta.

A cientista florestal alemã Gerda Nickel Maia, autora do livro “Caatinga: árvores e arbustos e suas utilidades”, destaca que ainda se conhece pouco sobre a rede de interações da Caatinga. Mas, uma vez rompida, a estabilidade diminui, o que ocorre quando planta-se uma única espécie (monocultura) em grandes áreas, eliminando as nativas e, com isso, os animais que delas dependem. Isso deixa a espécie em questão vulnerável a pragas e ao solo descoberto, um caminho fácil para a desertificação. Por outro lado, mantendo a biodiversidade, é impressionante como, após longas estiagens, se dá a recuperação das atividades vitais já nas primeiras chuvas. Os outros biomas brasileiros são Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica.


Seca no nordeste

Ao contrário do que muitos pensam, a seca não atinge toda região nordeste. Ela se concentra numa área conhecida como Polígono das Secas. Esta área envolve parte de oito estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e parte do norte de Minas Gerais. 
Causas da Seca

As principais causas da seca do nordeste são naturais. A região está localizada numa área em que as chuvas ocorrem poucas vezes durante o ano. Esta área recebe pouca influência de massas de ar úmidas e frias vindas do sul. Logo, permanece durante muito tempo, no sertão nordestino, uma massa de ar quente e seca, não gerando precipitações pluviométricas (chuvas).

O desmatamento na região da Zona da Mata também contribui para o aumento da temperatura na região do sertão nordestino.

Características da região

- Baixo índice pluviométrico anual (pouca chuva);
- Baixa umidade;
- Clima semi-árido;
- Solo seco e rachado;
- Vegetação com presença de arbustos com galhos retorcidos e poucas folhas (caatinga);
- Temperaturas elevadas em grande parte do ano.

Seca, fome e miséria: um problema social

A seca, além de ser um problema climático, é uma situação que gera dificuldades sociais para as pessoas que habitam a região. Com a falta de água, torna-se difícil o desenvolvimento da agricultura e a criação de animais. Desta forma, a seca provoca a falta de recursos econômicos, gerando fome e miséria no sertão nordestino. Muitas vezes, as pessoas precisam andar durante horas, sob Sol e calor forte, para pegar água, muitas vezes suja e contaminada. Com uma alimentação precária e consumo de água de péssima qualidade, os habitantes do sertão nordestino acabam vítimas de muitas doenças.
O desemprego nesta região também é muito elevado, provocando o êxodo rural (saída das pessoas do campo em direção as cidades). Muitas habitantes fogem da seca em busca de melhores condições de vida nas cidades.
Estas regiões ficam na dependência de ações públicas assistencialistas que nem sempre funcionam e, mesmo quando funcionam, não gera condições para um desenvolvimento sustentável da região.

Ações para diminuir o impacto da seca

- Construções de cisternas, açudes e barragens;
- Investimentos em infra-estrutura na região;
- Distribuição de água através de carros-pipa em épocas de estiagem (situações de emergência);
- Implantação de um sistema de desenvolvimento sustentável na região, para que as pessoas não necessitem sempre de ações assistencialistas do governo;
- Incentivo público à agricultura adaptada ao clima e solo da região, com sistemas de irrigação.

Transposição do rio São Francisco

A transposição do rio São Francisco é um projeto do governo federal que visa a construção de dois canais (totalizando 700 quilômetros de extensão) para levar água do rio para regiões semi-áridas do Nordeste. Desta forma, diminuiria o impacto da seca sobre a sofrida população residente, pois facilitaria o desenvolvimento da agricultura na região.


Caatinga e curiosidades

A caatinga é uma vegetação caracterizada pela  ausência  de água, se localiza principalmente em parte do Nordeste brasileiro. Caatinga ou mata branca devido ao longo periódo com falta de água a vegetação fica branca, e devido ao solo arenoso refletindo o Sol, um chão duro e cheio de pedras. As arvores são aqui e acolá. Como as folhas caem economizando água, devido ser pelas folhas que se processa a respiração da plantas. Uma vegetação característica é o cacto, que por não possuir folhas  possuem um caule grosso verde e grosso com capacidade para armazenar água em seu interior para os tempos secos.
 A barriguda é uma das maiores arvores da caatinga tem este nome por armazenar água em seu caule que fica gordo. Facheiro, mandacaru, xiquexique coroa- de- frade são nomes de cactos. Suas folhas são espinhos pouco respiram e guardam agua em seus caules.
Mesmo sendo um ambiente aparentemente hostil vamos encontrar muitos animais .
Nesta paisagem são comuns os mocós, roedores levemente maior que um ratão, passam o dia em verdadeiras fornalhas que são suas tocas feitas de pedras sob o Sol forte. Eles são os petiscos dos gaviões, de gatos -do -mato, cobras e até homens. Não é a toa que a qualquer barulhinho saem correndo e enfiam debaixo de sua toca quente.
As avoantes vem de longe botar seus ovos e criar seus filhotes na caatinga. são pequenas pombas que vem de longe em busca de comida, mas na verdade elas se tornam a comida de caçadores, homens ou bicho.
O carcará é um gavião forte grande corajoso, enfrenta cobras, caça bicho grande, enfrenta galinhas e até bezerros come carniça e tem pose de rei.  Pode ser espantado pelos beija- flores e bem-te- vis, forte na defesa de seus ninhos.
O camaleão fica estático encima de um tronco mas muda de cor ficando da cor do tronco quando se vê ameaçado,fica maior do que seu tamanho normal para se defender estufando o papo.
O teiú é um lagarto grande um verdadeiro filé para o sertanejo, carne saborosa. Tem uma aparência assustadora , mas é manso e come insetos, vermes e lagartas. Adora chupar ovo e perde o seu rabo na brigas porque esta é sua arma  poderosa.
A cascavel é venenosa possui um chocalho e contra seu veneno só seu próprio veneno em forma de soro.
O maracajá é um gato, e que gato! é selvagem vive em  buracos das arvores  e do chão, muito bom caçador não passa fome na caatinga mas é também muito caçado tem um pelo lindo que serve para as mulhres se adornar a sí ou em forma de tapetes. Mas pode ser amigo se criado desde pequeno domesticado.
Na caatinga se encontra o tipo humano bem característico o tão cantado vaqueiro e foi na caatinga que sobreviveu os cangaceiros. Quando vem a seca estes valentes homens vão para a periferia da cidade grande engroçar os bolsões de miséria.... mas se chove alguns voltam com a disposição para recomeçar tudo novamente.


Cangaço

Lampião - rei do Cangaço
O mais temido dos cangaceiro que mandava
                                                      e desmandava no sertão nordestino.


Essa história já se ouviu contar, foi lida e relida, virou filme, virou arte, música, pintura, literatura e até cordel. 
Lampião - virou mito e a sua fama de herói, ou de bandido é difícil de ser apagada da memória do povo. Continua um vulto que se eleva pela coragem de enfrentar o latifúndio dos “coronéis”, dos donos das cabeças. Borravam-se todos ante a ameaça de Lampião. Este cobrava por suas vidas e aqueles pagavam para continuar vivendo. Viravam coiteiros e de certa forma cúmplices das atrocidades que se vinham cometendo em nome do cangaço por esses sertões afora, numa área de 700 mil quilõmetros quadrados, compreendendo sete estados: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba Rio Grande do Norte e Ceará. Lampião subverteu a ordem das coisas. Latifúndios, (leia-se: “coronéis”, grandes fazendeiros) que durante séculos mandavam e desmandavam nos sertões, viram-se, de repente, mercê da vontade daquele que realmente imprimia respeito e medo: Virgulino Ferreira da Silva, vulgo “Lampião”, cuja palavra era lei. Ele comandava uma pequena legião de 50 cangaceiros, enfrentando forças policiais cujos contingentes suplantavam a casa de 4.000 soldados em todos os territórios por onde passava.

Durante as décadas de 20 e 30 o Cangaço (etnologicamente, gênero de vida levada pelos cangaceiros), correu a ruidoso galope pelas brenhas e caatingas do Sertão nordestino. Causava espanto e medo entre as às populações sertanejas, onde predominavam, de um lado, a aridez da terra, com suas caatingas brabas, de espinhos e chão esturricado e, do outro, a pobreza e a natureza rude do homem local, este já submetido a cruel sofrimento pelos rigores da seca. Por onde passava o cangaço ia deixando marcas de mortes, numa onda de violência tão brutal que causava desespero, tensão, angústia e medo; as pessoas só se valendo da proteção de Deus e do “Padim Ciço” para sua salvação. A situação agravou-se ainda mais quando Lampião assumiu a direção do bando de Sinhô Pereira, em 1922. 




O ódio e desejo de vingança de Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, coloca-vam as populações a seus pés, debaixo de ordem e sob a mira de seu fuzil, que cuspia fogo. Ele ordenava e seus “cabras” inva-diam cidades, fazendas e propriedades, saqueando, matando e esfolando aqueles que se recusassem atender aos seus ex-torsivos pedidos de dinheiro; muito dinheiro era o que mais lhe dava prazer em arrancar das barbas dos coronéis latifundiários e das pessoas aquinhoa-das de recursos. Se não lhe dessem o que pedia os cobrados pagavam com suas vidas ou passariam por humilhações.
A história do Cangaço é a própria história de Lampião que, por se tornar um fenômeno social dos mais estudados da cultura nordestina, tem seus altos e baixos; verdades e mentiras. Tornou-se uma lenda viva cuja presença não sai da memória do povo, principalmente do povo sertanejo. As façanhas do famigerado bando de cangaceiros são passadas de pais para filhos, isto perdurando-se através dos tempos e fazendo parte inseparável da cultura e do anedotário cotidiano.
Virgulino, entretanto, não foi o primeiro chefe de cangaceiros, como alguns podem pensar. Antes dele, outros já percorriam os sertões com uma cambada de evadidos da justiça pra-ticando toda sorte de barbaridades. Os mais conhecidos: Lucas da Feira (bandido que tinha o hábito de pendurar suas vítimas pelos os lábios nos galhos das árvores) assim chamado porque era natural de Feira de Santana/BA); Salva Terra (que atuava principalmente no sertão paraibano); Cabeleira (José Gomes), nascido em 1751 em Glória do Goitá-PE; Jesuíno Brilhante (1844); Adolfo Meia Noite, que era de Afogados de Ingazeira, Sertão do Pajeú de Flores-PE; Antonio Silvino e Sinhô Pereira (este último abandonando a vida do cangaço para se tornar militar em Goiás, do qual Lampião foi discípulo e herdeiro).



Quem foi Lampião?
Virgulino Ferreira da Silva nasceu no dia 7 de julho de 1897, ano que marcou o fim da guerra de Canudos, onde prevaleciam as profecias de Antonio Conselheiro, o excêntrico beato e líder político-religioso que inspirou a obra de Euclides da Cunha - os Sertões - no sítio Passagem das Pedras, às margens do riacho São Domingos, pedaço de terra desmembrado da fazenda Ingazeira, em Vila Bela, atualmente município de Serra Talhada/PE. Era o terceiro filho do casal José Ferreira da Silva e Maria Lopes, cuja seqüência, por datas de nascimento, é a seguinte: 1895 - Antonio Ferreira dos Santos; 1896 - Livino Ferreira da Silva; 1897 - ele, Virgulino; 1899 - Virtuosa Ferreira; 1902 João Ferreira dos Santos (o único dos homens que não entrou para o cangaço); ???? - Angélica Ferreira; 1908 - Ezequiel Ferreira; 1910 - Maria Ferreira (conhecida como Mocinha); 1912 - Anália Ferreira. Todos os filhos do casal nasceram nesse mesmo sítio, que ficava a uns 200 metros da casa de dona Jacosa Vieira do Nascimento e Manoel Pedro Lopes, avós maternos de Virgulino. Por causa dessa proximidade o menino residiu com eles durante grande parte de sua infância. Seus avós paternos eram Antonio Ferreira dos Santos Barros e Maria Francisca da Chaga, que residiam no sítio BaixaVerde, na região de Triunfo, em Pernambuco. Teve uma infância normal e igual a qualquer outra criança da época, correndo com frivolidade à beira do riacho perto de sua casa, de águas e correnteza mansas, brincando com a meninada de cangaceiros e soldados (usando bodoques e balas de carrapateira como equipamentos de guerra). Os “bandos” se dividiam em ataques simulados: soldados de um lado e bandidos do outro, fazendo-se uma guerrilha entre “mocinhos e bandidos”. Por esse tempo, a notícia da existência do cangaço já havia chegado a todas os bibocas e, por esta razão, as crianças eram in-fluenciava na pratica dessa brincadeira. A meninada se divertia a valer nesses conchavos de traquinagem, sem que jamais pudesse imaginar que daquele meio sairia, algum tempo mais tarde, o maior de todos os cangaceiros que já existiram. Quando ia passarinhar, a criançada fazia bala de barro para o bodoque, barro esse retirado das beiradas do rio, que dava um massapê visguento e resistente depois de seco ao sol. Nessa brincadeira de “cangaceiro e soldados” queria sempre ser o maior: o chefe dos soldados, para enfrentar os bandidos. E, quando capturava algum da turma contrária, amarrava-o numa árvore bem seguro. Nisso foi crescendo e, quando já era quase rapaz, deixando o bodo-que de lado, foi à escola onde apenas passou pelo aprendizado das primei-ras letras, tendo como professores “seu” Domingos Soriano e Justino de Nenéu. Freqüentou as aulas durante o curto período de três meses, mas pelo menos aprendeu a ler e escrever, o que viria lhe proporcionar grande benefício no futuro. Teria sido simplesmente um artesão de couro (fazedor de alpercatas, selas, arreios e vestimentas para vaqueiros), profissão que já dominava muito bem, depois de ter-se iniciado como almocreve (assim chamados os que viviam do trabalho de transportar cachaça em barris, rapadura e mel de cabeça no lombo de burros, além de outras mercadorias), se o destino não tivesse mudado o rumo de sua vida, enveredando-o no caminho do crime.

Como tudo começou:
Quando contava apenas 17 anos de idade, acusou seu vizinho de roubar alguns bodes e isso criou uma rixa envolvendo as famílias Nogueira, Saturnino e Ferreira, cujo mais acirrado contendedor era Zé Saturnino. Depois desse acontecimento e sentindo-se perseguido com os seus, o pai de Virgulino, José Ferreira, resolveu abandonar o pequeno sítio onde morava mudando-se com os seus para Água Branca, no alto sertão de Alagoas. Pensava que, com isso, afastar-se-ia da ferrenha intriga. Engano seu, pois seus perseguidores não lhe deram trégua. Dois para três anos depois (1917), José Ferreira – o pai – Maria Lopes – a mãe – e mais dois de seus irmãos menores foram barbaramente assassinados por seus inimigos na porta de casa, no lugar conhecido como Poço Negro, município de Água Branca. A sede de vingança tomou conta de Virgulino e ele veio a cometer alguns crimes em represália, indo se homiziar no bando de cangaceiros de Sinhô Pereira para se safar da Justiça. Daí por diante foi só uma questão de tempo para se tornar no famigerado bandido que praticava toda sorte de crimes, matando, esfolando e assaltando. Tornara-se o mais temido dos cangaceiros que assustavam os sertões, pelas barbaridades que cometia. Seu bando chegava às cidades como os fora-da-lei dos filmes western amaricanos, fazendo arruaças, barbarizando e metendo medo em tudo que era lugar onde passava. Caso não fosse satisfeito plenamente no que queria, começava uma onda de saques, matanças, incêndios, exterminação de rebanhos, entre outras atrocidades. Arrancava olhos, cortava orelhas e línguas, marcando rostos de mulheres a ferro em brasa – daquelas que estivessem usando vestidos ou cabelos curtos. Mas se fossem bem acatadas as suas ordens, mandava fazer arrasta-pé, onde todos brincavam às vezes por dois ou três dias. O fole de oito baixos não parava de tocar e a cabroeira se divertia ao som do xaxado, que era dança mesmo de cangaceiro. Fole, zabumba, reco-reco e pandeiro, acompanhavam as toadas:

I
“É Lamp, é Lamp, é Lamp,
é Lam, é Lampe é Lampião...
seu nome é Virgulino,
o apelido é Lampião”...
II
“Se entrega corisco,
eu não me entrego não,
eu não sou nenhum passarinho
prá viver lá na prisão...
Ai, ai, meu Deus
Eu não me entrego não
Que não sou nenhum passarinho
Prá viver lá na prisão...”
III
“Acorda, Maria Bonita
acorda, vem fazer café,
que o dia já vem raiando,
e a polícia já está de pé”...

Depois, quando o “Capitão” achava que era hora de terminar a festa, ele e todos os seus comandados montavam em seus cavalos e partiam, depois de dar pouco de dinheiro aos pobres, numa atitude de repartir o que tomavam dos endinheirados.



 


Xique-Xique

O xique-xique(Pilosocereus gounellei) é uma planta de fácil cultivo. Pode ser mantida em vasos ou plantada diretamente no solo.
Em ambientes internos regar uma vez por mês, utilizando meio litro de água para o vaso grande e ¼ de litro no vaso menor. Em ambientes externos e recebendo chuva não há necessidade de molhar. A natureza irá cuidar dele. Evite “prato” sob os vasos para não acumular água. Os cactos não toleram água acumulada.
O excesso de água é a principal causa do apodrecimento e morte dos cactos.
As flores são grandes, brancas ou branco esverdeado e se abrem à noite para serem polinizadas por insetos e aves noturnas. Florescem na primavera-verão. Produzem grande quantidade de néctar.
O xique-xique, juntamente com o cacto mandacaru, são os cactos mais típicos da “caatinga” do nordeste brasileiro. No norte da Bahia, à margem do Rio São Francisco, está a cidade de Xique-Xique, nome atribuído em homenagem a esta importante planta.
A cidade de Xique-Xique tem, aproximadamente, 45 mil habitantes, 170 anos de fundação e está distante 500 km de Salvador.
O cacto xique-xique tem importância fundamental no alimento de aves e animais, por fornecer frutos e hastes que são utilizadas na alimentação de animais de criação, como bois e cabras.
O fruto é comestível, saboroso. Da haste é feito um prato bastante comum na alimentação humana na região, chamado de “cortado de xique-xique”
O xique-xique contém aproximadamente 5% de proteína e rico em sais minerais.
O porte da planta quando plantada diretamente na terra pode chegar a 4 metros. Cultivada em vasos a altura irá depender do tamanho do vaso. O xique-xique apresenta a grande vantagem de poder ser conduzido dentro do tamanho desejado, fazendo-se podas com a retirada de ramos excedentes. Os ramos retirados podem ser replantados, criando nova planta.
A pesquisa está trabalhando no desenvolvimento de variedades visando maior aproveitamento da planta na alimentação animal e na busca por uma variedade sem espinhos, que existia na região
O Xique-Xique aparece com grande destaque nos filmes sobre o “cangaço”, envolvendo Lampião e Maria Bonita.


Palma


A Palma (Opuntia cochenillifera ou: Nopalea cochenillifera, Nopalea coccinellifera, Cactus cochenilliferus e Cactus cochenillifer) é o nome científico da cactácea forrageira e comestível, de origem mexicana, largamente difundida no Nordeste brasileiro - recebendo o nome genérico de palma (é, ainda, conhecida por: urumbeta, cacto, cacto-de-cochonilha, palma-de-engorda, palma-miúda, palma-forrageira, palma-doce, palmatória-doce, nopal, cardo-de-cochonilha, cacto-sem-espinhos).
Seu uso varia desde a alimentação ao gado e humana, paisagístico e cerca-viva, como para a produção de corante natural, extraído de inseto parasita.
Planta xeromorfa, possui caule cilíndrico e seus ramos (cladódios), conhecidos como palmas (ou raquetes), são achatados, carnosos e em formato oval.
Os ramos (palmas ou cladódios) são os responsáveis pela fotossíntese, uma vez que as folhas foram transmutadas nos espinhos que, nesta espécie, são esparsos e pequenos, e até ausentes.
Seus cladódios são menores que a espécie O. ficus-indica (figueira-da-índia), sendo esta comumente chamada de palma-grande, enquanto a cochenillifera é chamada de palma-pequena.
A floração ocorre durante todo o ano, com preferência ao período de setembro a março. As flores possuem tom avermelhado, com estames longos e róseos. Sua reprodução dá-se por estaquia ou sementes.


Umbuzeiro





O umbuzeiro ou imbuzeiro(Spondias tuberosa, L., Dicotyledoneae, Anacardiaceae)é originário dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro; nas regiões do Agreste (Piauí), Cariris (Paraíba), Caatinga (Pernambuco e Bahia) a planta encontrou boas condições para seu desenvolvimento encontrando-se, em maior número, nos Cariris Velhos, seguindo desde o Piauí à Bahia e até norte de Minas Gerais. No Brasil colonial era chamado de ambu, imbu, ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber". Pela importância de suas raízes foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da Cunha.
O umbuzeiro é uma árvore de pequeno porte em torno de 6m de altura, de tronco curto, esparramada, copa em forma de guarda-chuva com diâmetro de 10 a 15m projetando sombra densa sobre o solo, vida longa (100 anos), é planta xerófila. Suas raízes superficiais exploram 1m de profundidade, possuem um órgão (estrutura) - túbera ou batata - conhecida como xilopódio que é constituído de tecido lacunoso que armazena água, mucilagem, glicose, tanino, amido, ácidos, entre outras. O caule, com casca cor cinza, tem ramos novos lisos e ramos velhos com ritidomas (casca externa morta que se destaca); as folhas são verdes, alternas, compostas, imparipenadas, as flores são brancas, perfumadas, melíficas, agrupadas em panícula de 10-15cm de comprimento. O fruto - umbu ou imbu - é uma drupa, com diâmetro médio 3,0cm, peso entre 10-20 gramas, forma arredondada a ovalada, é constituído por casca (22%), polpa (68%) e caroço (10%). Sua polpa é quase aquosa quando madura. Semente arredondada a ovalada, peso de 1 a 2,0 gramas e 1,2 a 2,4cm de diâmetro, quando despolpada. O fruto é muito perecível.


Coroa-de-frade


O coroa-de-frade (Melocactus zehntneri) é uma espécie de cacto que ocorre no Brasil pricipalmente no semi-árido da Caatinga. Seu nome foi inspirado no fato de apresentar uma estrutura rosada, formada por pequenas cerdas e minúsculos espinhos, no alto da planta, como se fosse uma coroa. De dentro dessa estrutura é que saem as flores.
Pequeno e arredondado, este cacto tem um aspecto interessante. Suas flores são formadas no chapéu vermelho e cillíndrico sobre o tronco verde. Possui espinhos pontiagudos nas bordas dos gomos que formam o tronco. Nativo das regiões semi-áridas do nordeste, é pouco exigente quanto ao solo e à umidade.
Devem ser cultivados em substrato composto de areia e terra de jardim, sempre a pleno sol, sendo intolerante ao frio. As regas ficam por conta das chuvas que, caso estejam em excesso, podemos protegê-lo até o tempo melhorar. Podem ser cultivados em vasos como planta isolada ou em composição com outras cactáceas e suculentas em terrário ou diretamente no jardim. Multiplica-se por sementes.



Mandacaru


O mandacaru(Cereus jamacaru) é uma planta da família das cactáceas. É comum no nordeste brasileiro e não raro, atinge até mais de 5 metros de altura.
Existe uma variedade sem espinhos, usada na alimentação de animais. A variedade comum é altamente espinhenta e também é usada na alimentação de animais, quando seus espinhos são queimados ou cortados. O mandacaru resiste a secas, mesmo das mais fortes.
As flores desta espécie de cactos são brancas, muito bonitas e medem aproximadamente 30cm de comprimento. Os botões das flores geralmente aparecem no meio da primavera e cada flor dura apenas um período noturno, ou seja, desabrocham ao anoitecer e ao amanhecer já começam a murchar. Seu fruto tem uma cor violeta forte. A polpa é branca com sementes pretas minúsculas, e é muito saborosa, servindo de alimento para diversas aves típicas da caatinga, como a gralha-cancã e o periquito-da-caatinga.


Projeto Recaatingamento[2]

Recaatingamento

 Preservação do meio ambiente em parceria com a comunidade

O Recaatingamento é um projeto de preservação ambiental que busca contribuir para inverter a desertificação do bioma caatinga através do uso sustentável de seus recursos naturais. O projeto, desenvolvido em comunidades rurais de sete municípios baianos, desenvolve um conjunto de medidas de promoção do bem-estar da Caatinga e de sua população através de uma proposta pedagógica, integral e multidisciplinar que acredita que a melhor forma de viver e produzir no semiárido é através do que a Caatinga oferece.


O Recaatingamento, promovido pelo Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada-IRPAA, com o patrocínio do projeto Petrobrás Ambiental, envolve diretamente 140 famílias em atividades de preservação do meio ambiente. O projeto tem atuação direta nas comunidades de Angico, no município de Canudos, Melancia, em Casa Nova, São Mateus, em Curaçá, Fartura, em Sento Sé, Poço do Juá, em Sobradinho, Serra dos Campos Novos, em Uauá e Curral Novo, em Juazeiro.


Através de cursos e oficinas, cerca de 300 produtores rurais das comunidades Fundo de Pasto estão sendo capacitados como agentes ambientais. Cada comunidade envolvida no projeto está construindo de forma participativa um Plano de Manejo Ambiental Sustentável, com ele, pretende-se conservar a Caatinga, onde ela ainda está preservada e recuperar, onde ela já está fragilizada.


Paralelamente aos Plano de Manejo Ambiental, também estão sendo construídos os Planos de Manejo do Rebanho. Ele ajudará a diminuir a ação herbívora dos animais na caatinga e evitará o super-pastoreio melhorando a qualidade da produção da ovino-caprino-cultura.


Além de ações que visam a preservação direta do meio ambiente, o Recaatingamente promove capacitações para a Geração de Renda, agregando valor aos produtos oriundos das atividades agroextrativistas sustentáveis, como o beneficiamento das frutas silvestres umbu e maracujá do mato. Instalações como viveiros, cisternas e unidades de beneficiamento apoiarão as atividades. O projeto também promoverá a Educação Ambiental Contextualizada através da assessoria à educação escolar das comunidades envolvidas. Recaatingamento, um projeto de preservação do meio ambiente em parceria com a comunidade.



O Projeto RECAATINGAMENTO atua com 5 linhas de ação:


1-Conservação da Caatinga

2-Recomposição da Caatinga

3-Educação Ambiental Contextualizada

4-Melhorias da Renda

5-Políticas Públicas


Mais:




Blog criado por alunos do Colegio Modelo de Juazeiro Bahia da Turma A do 2ª ano.data de criação:18/05/2011: Lucas Olimpio